Equilibrium: Consultório de psicologia, acupuntura e hipnose
Acupuntura reduz crises de enxaqueca
NOVA YORK (Reuters Health)
segunda 08 março,
2004
A equipe de Gianni Allais,
do Centro Feminino para Dor de Cabeça, em Turim (Itália),constatou
que as pacientes que receberam aplicações de acupuntura tiveram
menos crises de enxaqueca durante os primeiros quatro meses de terapia e necessidade
menor de usar analgésico durante a fase inicial do tratamento, em comparação
com o grupo de pacientes que tomou flunarizina, um medicamento que pertence
à classe dos bloqueadores de canais de cálcio e geralmente é
usado para ajudar a prevenir enxaquecas.
Ao término de seis meses, porém, não houve diferença
entre os dois grupos no que diz respeito ao número de crises.
As voluntárias que participaram do estudo sofriam de enxaqueca sem aura
- distúrbios visuais e outros sintomas típicos das crises. As
enxaquecas são caracterizadas por sensibilidade à luz, dor intensa
e latejante. Algumas vezes também ocorrem náusea e vômito.
O processo subjacente à enxaqueca não é totalmente conhecido,
mas os pesquisadores acreditam que envolva alterações nos vasos
sanguíneos cerebrais.
Terapia que surgiu na China há mais de 2 mil anos, a acupuntura envolve
a aplicação de finas agulhas em pontos específicos da superfície
do corpo que são conexões com vias de energia, ou meridianos,
segundo a teoria tradicional. A acupuntura mantém esse fluxo natural
de energia em circulação.
Estudos anteriores sugeriram que a acupuntura poderia ajudar a evitar novos
episódios de enxaqueca, mas geralmente esses trabalhos apresentavam falhas
de planejamento.
Na pesquisa atual, publicada em edição recente da revista Headache,
a equipe de Allais avaliou 80 mulheres submetidas a sessões semanais
de acupuntura durante dois meses -- em seguida, essas pacientes fizeram aplicações
mensais por mais quatro meses. As agulhas foram colocadas nos mesmos pontos
em cada sessão e mantidas no corpo da paciente durante 20 minutos.
Outro grupo de 80 mulheres usou flunarizina em doses de 10 miligramas diárias
durante dois meses. Nos quatro meses seguintes, as pacientes tomaram a droga
20 dias por mês.
Os dois tratamentos funcionaram, e as mulheres apresentaram um número
menor de dores de cabeça. Entretanto, o grupo que usou acupuntura teve
menos crises que o grupo da flunarizina durante os primeiros quatro meses do
estudo -- uma média de 2,3 contra 2,9 crises, respectivamente. A acupuntura
pareceu reduzir a intensidade da dor e a necessidade de consumir analgésicos.
Seis meses após o início da terapia, os grupos tiveram um número
semelhante de crises.
De um modo geral, as mulheres que usaram flunarizina foram mais propensas a
abandonar a pesquisa por razões que incluíram depressão,
ganho de peso e sonolência.
Os autores do trabalho observaram que as pacientes do grupo da acupuntura poderiam
apresentar um "efeito placebo" maior, pois receberam "muito mais
atenção e tratamento individual" que o grupo do medicamento.

